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segunda-feira, 28 de junho de 2010

OS IMPACTOS DA MUDANÇA DO CLIMA NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA.

Por Editor em 28/06/2010
Entrevista: Os impactos da mudança do clima na produção agrícola: Hilton Silveira Pinto

Créditos: UnisinosO estudo Impactos da mudança do clima na produção agrícola partiu do atual zoneamento de riscos agrícolas do Brasil para prever o cenário que a agricultura brasileira viverá, em alguns anos, em decorrência do aquecimento global. O professor Hilton Silveira Pinto participou da pesquisa que revelou, por exemplo, que o nordeste vai sofrer tamanho impacto que passará a ser uma região árida, e não mais semiárida, causando intensa desertificação nesses estados. "O Ceará, por exemplo, perderá cerca de 80% da área agricultável, o que faz com que a própria alimentação e subsistência agrícola sejam um problema para o nordeste, causando migrações bastante grandes", apontou.

Em entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, Hilton trouxe alguns dados do estudo, comparou-o com o relatório Stern e apresentou cenários que o Brasil pode viver se nada fizer em relação às mudanças climáticas. "Gestores ou mesmo políticos ligados à agricultura brasileira, em sua maioria, não acreditam ou não estão tomando qualquer providência sobre isso. Alguns dirigentes de instituições e inclusive da própria meteorologia ainda têm dúvidas quanto ao problema. O que é muito ruim porque isso significa que não há um movimento de prevenção", disse.

Hilton Silveira Pinto é Engenheiro Agrônomo pela Universidade de São Paulo (USP), onde também fez especialização em Engenharia Rural e mestrado em Geografia. É doutor em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e pós-doutor pela University Of Guelph (Canadá).

Atualmente, coordena o projeto de pesquisa sobre Mudanças Climáticas e Agricultura do Brasil para a British Foreign and Commonwealth Office, da Embaixada Britânica no Brasil. Também colabora na área de meteorologia e climatologia do Hospital Albert Einstein (SP) e é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Confira a entrevista.

IHU On-Line - O senhor pode nos explicar no que consiste e os objetivos do estudo "Impactos da mudança do clima na produção agrícola"?

Hilton Silveira Pinto - Esse estudo foi dividido em duas partes: uma tinha como objetivo ver se as principais culturas agrícolas do país iriam aumentar ou diminuir se nada for feito daqui pra frente. No segundo momento, o objetivo era fazer uma estimativa de quanto essas conseqüências vão custar em termos econômicos para o país.

IHU On-Line - E qual é a importância desse estudo para a agricultura brasileira?

Hilton Silveira Pinto - O trabalho teve uma significação muito grande para a agricultura brasileira desde seu início, quando ocorreu o estabelecimento do chamado zoneamento de riscos agrícolas do Brasil. O zoneamento de riscos climáticos brasileiro significa que nós temos uma integração com cada município do país sobre o que plantar, onde plantar e quando plantar. O que fizemos com isso? Transportamos o conhecimento sobre a geografia agrícola brasileira de hoje para fazer pensar num cenário futuro para 2020, 2030, 2050, de forma que possamos estimar quais seriam os prejuízos que algumas culturas teriam e quais seriam as vantagens de outras culturas, no futuro, em função do aquecimento global.

A única questão que temos pendente é a credibilidade. Isso é muito ruim porque, no Brasil, hoje, fala-se muito em financiamento de pesquisas que atuem sobre a questão do aquecimento global, mas age-se muito pouco. As empresas financiadoras de pesquisas no Brasil estão investindo muito pouco neste problema. E isso é ruim porque certamente nós teremos um problema futuro que deverá custar para o Brasil algo ao redor de um trilhão de reais para que isso fosse reposto depois, daqui há 10 ou 20 anos. Um investimento prévio poderia eliminar este problema.

IHU On-Line - De que forma seu estudo mede o impacto do aquecimento global na economia brasileira?

Hilton Silveira Pinto - Hoje, no Brasil, temos conhecimento de quais culturas agrícolas se desenvolvem com núcleo econômico em cada município do país. As políticas públicas de cada cidade diz o que, onde e como plantar. Assim, no estudo, utilizamos esses dados para entender qual seria o zoneamento agrícola no futuro. Usamos 2010 como base para nossa pesquisa e, a partir dos cálculos que fizemos, vimos que só na área de grãos, o Brasil perderá, por ano, 7,5 bilhões de reais. Mas a cana passará por um superávit de 27 milhões de reais por ano.

IHU On-Line - E é no sentido econômico que o estudo se assemelha ao Relatório Stern?

Hilton Silveira Pinto - Sim. Quando nós recalculamos todos os valores que tínhamos aqui, no Brasil, chegamos ao seguinte resultado: provavelmente, em 40 anos, vamos perder um PIB inteiro. Isso significa que teremos algo próximo a 2,5% de queda na produção brasileira se nada for feito até lá. Esse é um número muito parecido com o do Relatório Stern. Ou seja, a indicação é que se a gente investir cerca de 2,5% do PIB agrícola brasileiro, conseguiremos manter pelo menos o plantel que temos de variedades de métodos para mitigação e assim por diante.

IHU On-Line - O senhor pode apresentar um quadro dos principais impactos das mudanças do clima na agricultura brasileira nas próximas décadas?

Hilton Silveira Pinto - Se nada for feito em relação aos grãos de modo geral, em 2020, já teremos um grande prejuízo, algo em torno de 95% dos grãos do Brasil. O calor gerado pelo aquecimento fará com que a produção agrícola de grãos diminua, ano a ano, radicalmente até 2020.

IHU On-Line - Que culturas podem ser extintas nesses dez anos e quais podem se manter?

Hilton Silveira Pinto - Extinta nenhuma delas. Algumas regiões podem perder algumas culturas. O café, por exemplo, pode dimuinuir muito em São Paulo e Minas Gerais e aumentar no Paraná e no Rio Grande do Sul. A cana pode aumentar algo em torno de 170% até 2020 e, depois, em função do aumento da temperatura e da diminuição da água disponível para agricultura, tende a diminuir bastante.

IHU On-Line - A conclusão do estudo de que, nas próximas quatro décadas, o Nordeste poderá deixar de ser uma área semiárida para se tornar uma área árida, caminhando para uma desertificação completa terá que impactos na agricultura?

Entrevista: Os impactos da mudança do clima na produção agrícola: Capa do estudo da Embrapa e Unicamp sobre o impacto do aquecimento global da gricultura

Créditos: Embrapa/UnicampHilton Silveira Pinto - De um modo geral, o nordeste brasileiro não é muito significativo em termos de produção agrícola. A produção nessa região é muito voltada para a agricultura familiar, de uso interno. Até certo ponto, isso é muito problemático, porque como o calor vai aumentando, a falta d’água também será maior, e a região passará a ser uma área árida. O Ceará, por exemplo, perderá cerca de 80% da área agricultável, o que faz com que a própria alimentação e subsistência agrícola sejam um problema para o nordeste, causando migrações bastante grandes.

IHU On-Line - Um novo movimento de migração pode surgir?

Hilton Silveira Pinto - Exato. Primeiro, em busca de novos trabalhos na área da agricultura. Segundo, porque a alimentação de subsistência vai ficar muito difícil. Alguns estados do nordeste sofrerão um processo intenso de desertificação. Com isso, a população rural migrará ainda mais para outros estados em busca de serviços e de novas culturas.

IHU On-Line - O senhor avalia que o agronegócio brasileiro tem consciência do tamanho da problemática ou é cético sobre os prognósticos da crise climática?

Hilton Silveira Pinto - Gestores ou mesmo políticos ligados à agricultura brasileira, em sua maioria, não acreditam ou não estão tomando qualquer providência sobre isso. Alguns dirigentes de instituições e inclusive da própria meteorologia ainda têm dúvidas quanto ao problema. O que é muito ruim porque isso significa que não há um movimento de prevenção.

A produção de uma variedade demora dez anos. E se não fizermos nada hoje, por exemplo, em relação à produção de variedades, daqui a dez anos, nós não teremos nenhuma solução para o problema que certamente vai acontecer. Quem tem trabalhado conosco acredita no problema e tem tentado desenvolver alguns projetos em termos de manejo agrícola e em termos de assistência técnica, pensando no futuro.

IHU On-Line - No estudo, o senhor fala em perdas econômicas. De que forma as mudanças climáticas podem influenciar na economia brasileira nessas próximas décadas?

Hilton Silveira Pinto - Vamos imaginar uma cultura típica do Rio Grande do Sul [RS], no caso a soja. O problema com a soja seria o seguinte: o RS deixaria de produzir soja quase que de imediato, e o prejuízo brasileiro de perda com a soja daqui a dez anos é estimado em quatro bilhões e meio de reais por ano. Veja que isso é uma queda de produção do segundo produto de exportação que nós temos. Se pensarmos o café, por exemplo: a diferença de área com potencial de produção desse produto no Brasil leva a um cálculo de perda de quase 900 milhões de reais por ano em função destas áreas de potencial.

IHU On-Line - O que precisa ser feito imediatamente para mitigar as consequências climáticas na agricultura brasileira?

Hilton Silveira Pinto - Tem dois aspectos que devem ser considerados seriamente. Nossos dirigentes têm que se conscientizar que o problema pode ser resolvido de forma tranquila. Primeiro: nós temos que desenvolver variedades que sejam tolerantes à seca e a altas temperaturas. Isso tem um preço. Cada variedade custa, para o Brasil, um milhão de reais por ano. O desenvolvimento de tecnologia e o melhoramento agrícola têm que ser reforçados no Brasil. Segundo: temos que fazer um remanejamento, um aumento de tecnologia agrícola para integrar pecuária e lavoura.

PARA SABER MAIS

Clique aqui para fazer o download do estudo (8,78 Mb - arquivo PDF).

FONTE
Instituto Humanitas Unisinos

Links referenciados

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

www.unesp.br

Impactos da mudança do clima na produção agrícola

www.embrapa.br/publicacoes/tecnico/aquec

imentoglobal.pdf

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

www.embrapa.br
British Foreign & Commonwealth Office
http://www.fco.gov.uk/
Universidade Estadual de Campinas
http://www.unicamp.br/
Instituto Humanitas Unisinos
www.unisinos.br/ihu

Universidade de São Paulo
http://www.usp.br/
Hospital Albert Einstein
http://www.einstein.br/
Hilton Silveira Pinto
buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visual
izacv.jsp?id=K4788939U6
Embaixada Britânica
ukinbrazil.fco.gov.uk/pt
University Of Guelph
http://www.uoguelph.ca/
Relatório Stern
pt.wikipedia.org/wiki/Relatório_Stern
Clique aqui
www.embrapa.br/publicacoes/tecnico/aquec
imentoglobal.pdf
IHU On-Line
www.ihuonline.unisinos.br

Unisinos
http://www.unisinos.br/
JORNAL AGROSOFT

2 comentários:

  1. O que os capixabas pensam sobre Mudanças Climáticas?

    De modo a conhecer o perfil de percepção ambiental da sociedade frente à problemática (causas, efeitos, prós e contras) das Mudanças Climáticas, tendo como base a Região da Grande Vitória, ES - municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica - o Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA (grupo sem fins lucrativos), desenvolveu uma pesquisa (35 aspectos abordados) com 960 pessoas (+ - 3% de erro e 95% de intervalo de confiança), com o apoio da Brasitália Mineração Espírito Santense.

    Metade dos entrevistados foi de pessoas com formação católica e, os demais, evangélica. Apesar de a amostra ter sido constituída dessa forma o objetivo da pesquisa não visa individualizar os resultados para cada segmento religioso em questão. Em um segundo estágio da análise dos dados (banco de dados do SPSS) isso ocorrerá, quando serão explicitadas diferenças de percepção ambiental dos dois grupos – católicos e evangélicos – mas sem nominar a origem de formação religiosa dos membros da amostra.

    Os entrevistados admitem ler regularmente jornais e revistas (48,1%), assistem TV (58,3%), não participam de Audiências Públicas convocadas pelos órgãos normativos de controle ambiental (88,9%), bem como de atividades ligadas ao Meio Ambiente junto às comunidades (não – 43,2% / não, mas gostaria – 39,7%), apresentam um reduzido conhecimento das ONGs ambientalistas (4,9%), não acessam (72,8%) sites ligados à temática ambiental (19,1% não tem acesso a computador), além de indicarem o baixo desempenho das lideranças comunitárias no trato das questões ambientais (29,2% / sendo que 40,0% admitem não conhecer as lideranças de suas comunidades), e admitem interesse por temas ligados à temática ambiental (42,3% / 44,2% apenas às vezes).

    Admitem conhecer termos (não verificada a profundidade do conhecimento assumido) como biodiversidade (63,6%), Metano (51,7%), Efeito Estufa (81,3%), Mudanças Climáticas (84,7%), Crédito de Carbono (26,0%), Chuva Ácida (57,8%), Agenda 21 (16,5%), Gás Carbônico (60,9%), Clorofuorcarbonos (36,6%), Aquecimento Global (85,4%), bicombustíveis (74,1%), Camada de Ozônio (74,3%) e Desenvolvimento Sustentável (69,5%), com 70,0% do grupo relacionando às atividades humanas às Mudanças Climáticas e que a mídia divulga muito pouco os temas relacionados ao meio ambiente (44,2%), apesar da importância do tema.

    A ação do Poder Público em relação ao meio ambiente é considerada fraca (48,2%) ou muito fraca (30,2%), os assuntos ligados à temática ambiental são pouco discutidos no âmbito das famílias (60,1% / 15,5% admitem nunca serem discutidos), enquanto a adoção da prática da Coleta Seletiva só será adotada pela sociedade se for através de uma obrigação legal (34,3%) e que espontaneamente apenas 35,7% adotariam o sistema. Indicam que os mais consumos de água são o “abastecimento público” (30,3%), seguido das “indústrias” (22,9%) e só depois a “agricultura” (10,7%), percepção inversa a realidade.

    Em análises em andamento, os resultados da pesquisa serão correlacionados com variáveis como “idade”, “gênero”, “nível de instrução”, “nível salarial”, “município de origem”, entre outras, contexto que irá enriquecer muito a consolidação final dos resultados, aspectos de grande importância para os gestores públicos e privados que poderão, tendo como base uma pesquisa pioneira no ES, definir ações preventivas e corretivas voltadas ao processo de aprimoramento da conscientização ambiental da sociedade.

    É importante explicitar que, com o apoio do NEPA, está pesquisa já está sendo iniciada em outras capitais. O grupo está aberto a realizar parcerias de modo a assegurar, progressivamente, o conhecimento do perfil nacional da sociedade em relação à temática das Mudanças Climáticas. Não há como ignorar, se é que ainda não se deu a plena atenção a este fato, a importância da participação consciente da sociedade nas discussões que envolvem este importante tema.




    Roosevelt S. Fernandes, M. Sc.
    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

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  2. Saudações crísticas e agroecológicas, camarada Roosevelt!

    Quero agradecer pela excelente contribuição ao Blog! E permita-me dizer que é de trabalhos como o que o NEPA está realizando que nós precisamos para estabelecer um senso crítico mais apurado. Tanto para a sociedade como para a Academia. Gostaria de saber se você, e o NEPA tem alguma informação sobre a questão do Aquecimento/Resfriamento Global, e a tese do Professro Molion, da UFAL?

    Um abraço fraterno, e até a próxima inserção!

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