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sábado, 22 de outubro de 2011

CIENTISTAS IDENTIFICAM EXTRATOS BIOATIVOS EM ALGAS VERMELHAS


Cientistas identificam extratos bioativos em algas vermelhas
Por Antonio Carlos Quinto - acquinto@usp.br
Na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, pesquisadores conseguiram identificar extratos e substâncias com potencial antiprotozoário e antifúngico em algas vermelhas (Bostrychia tenella) coletadas em costões rochosos de Ubatuba, no litoral norte do estado de São Paulo. Os cientistas também conseguiram caracterizar extratos bioativos que poderão, no futuro, ser potencialmente utilizados na indústria farmacêutica.
Culturas algais mantidas em laboratório na FCFRP
Segundo o farmacêutico Rafael de Felício, que defendeu sua dissertação de mestrado sobre o tema, suas pesquisas envolvem estudos dos Produtos Naturais (substancias que são oriundas do metabolismo secundário) sintetizados por algas marinhas. “É comum vermos estudos envolvendo a identificação de metabólitos primários, tais como açúcares, polissacarídeos, proteínas e aminoácidos, entre outros, mas, estudos envolvendo a descoberta de novos metabólitos secundários são bastante escassos para certos organismos. Por meio de revisão da literatura sobre o tema não foram encontradas pesquisas sobre os metabólitos secundários desta espécie de alga vermelha, a Bostrychia tenella”, afirma o pesquisador. “Os metabólitos primários são aqueles essenciais para a sobrevivência do organismo, enquanto que os secundários são os ditos especiais, que exercem funções especificas para cada organismo, como de proteção contra fungos, predadores e competidores, além de feromônios sexuais”, descreve o pesquisador.
Metabólitos raros
Ao todo, os cientistas isolaram e analisaram 63 metabólitos secundários. Entre os 24 metabólitos fenólicos (substâncias aromáticas) identificados, de grande interesse são aqueles halogenados, como bromofenois, responsáveis pelas propriedades de sabor e aroma das algas. “Os metabólitos halogenados são bastante raros em plantas e animais terrestres!” Do ponto de vista científico, das 24 substâncias descobertas, três são inéditas na literatura científica e outras nove são inéditas como produtos naturais. A professora Hosana Maria Debonsi, do Departamento de Física e Química da FCFRP e orientadora da pesquisa, explica que os metabólitos inéditos como produtos naturais são aqueles que podem até terem sido sintetizados em laboratório, mas ainda não foram isolados a partir de organismos vivos.
Aparelho reprodutor da Bostrychia tenella em detalhe
Muitas destas substâncias podem levar à descoberta de interessantes protótipos farmacêuticos no futuro “Podemos citar como exemplo a aspirina — ácido acetilsalicílico, cujo precursor foi a salicilina, introduzida com finalidade medicinal para o alivio de febre e dores em 1876, utilizada em uma mistura herbal obtida a partir do extrato de Salix sp.. “Assim, o precursor foi de origem natural mas o produto final foi sintetizado a partir deste”, descreve a professora.
Ainda, além destes nove metabólitos encontrados pela primeira vez na natureza, mais especificamente nas algas vermelhas, outras substâncias podem ser citadas, como carotenóides, esteróides, ésteres e ácidos graxos, também encontrados em óleos vegetais.
Felício conta que todas as análises foram feitas em laboratório, utilizando amostras de algas vermelhas. “Encontramos ainda quatro substâncias inéditas em algas marinhas (encontradas previamente em outros organismos) e seis que foram identificadas pela primeira vez no gênero Bostrychia”, lembra o pesquisador.
Fungo endofítico isolado da espécie Bostrychia tenella
Microorganismos endofíticos
Entre as substâncias identificadas, os cientistas também conseguiram isolar microorganismos endofíticos que habitam o interior dos talos (tecidos) das algas. “A partir do cultivo em laboratório destes microorganismos, foi possível a obtenção de extratos e frações que demonstraram potencial biológico quando submetidos a ensaios citotóxicos usando células tumorais HL-60, HCT-8 e SF-295, antifúngicos e antibacterianos”, lembra Hosana.
Segundo ela, estas substâncias podem ser promissoras em futuras pesquisas para a produção de fármacos para a terapia do câncer e doenças causadas por fungos e bactérias, como a infecção hospitalar. “Mas quando falamos neste tipo de aplicação podemos estimar um tempo mínimo de dez anos”, calcula a professora.
O estudo Produtos naturais marinhos: identificação de metabólitos fenólicos halogenados na macroalga Bostrychia tenella (Rhodomelaceae, Rhodophyta) e potencial biológico de microorganismos endofíticos associados, foi apresentado na FCFRP em outubro de 2010.
Mais informações: com a professora Hosana Maria Debonsi, no email hosana@fcfrp.usp.br; ou Rafael de Felício, norfelicio@fcfrp.usp.br

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