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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ENTOMOLOGIA, AGROECOSSISTEMAS, E FRUTEIRAS.


A importância da entomologia em agroecossistemas para produção de fruteiras
  Comentários :: Publicado em 28/12/2011 na seção artigos :: Versões alternativas: Texto PDF


O conceito de sustentabilidade (social, econômica e ambiental) vem sendo cada vez mais discutido e valorizado pela sociedade, sobretudo se relacionado à atividade agrícola. Atualmente é crescente a demanda por produtos mais saudáveis, produzidos com tecnologias voltadas à redução de gastos e de problemas associados ao uso indiscriminado de defensivos químicos para controle de insetos-praga e plantas daninhas. Isto é ainda mais evidente em relação à fruticultura, já que valorização dos frutos no mercado interno e externo está cada vez mais atrelada à produção livre de agrotóxicos.
A agroecologia vem sendo reafirmada como campo de conhecimento de caráter multidisciplinar que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias que permitem avaliar os agroecossistemas. Essa análise é realizada de modo a abranger dados sobre a agrobiodiversidade, manejo de recursos naturais e valores socioculturais, buscando-se promover um manejo holístico das áreas cultivadas.

Incentiva-se a criação de ambientes com maior complexidade em termos de fauna e flora com a finalidade de promover e/ou otimizar as inter-relações ecológicas que ocorrem entre os organismos. Segundo os conceitos agroecológicos, ambientes mais complexos são mais estáveis e sustentáveis, exigindo, progressivamente, menor entrada de recursos para sua manutenção.

A agricultura orgânica vem se destacando como estratégia compatível ao manejo agroecológico de pragas, principalmente em plantios de pequena escala ou agricultura familiar. O uso de cobertura vegetal associada à adubação verde, por exemplo, além de melhorar as condições nutricionais das plantas conferindo-lhes resistência ao ataque de pragas, contribui também para aumentar a diversidade de insetos benéficos por proporcionar melhores condições para o estabelecimento destes, com a manutenção das funções ecológicas que ocorrem entre as espécies e destas com o meio abiótico.

Outros tipos de manejo associados à produção orgânica, como o uso de caldas e extratos vegetais para o controle de insetos (com baixa toxicidade ambiental e alta especificidade), o plantio consorciado de espécies vegetais, a implantação de sistemas agroflorestais e o uso de culturas de cobertura de solo também interferem na dinâmica da comunidade de insetos.

Muitos produtores de frutíferas são resistentes em relação à abordagem agroecológica, já que esta exige conhecimento de tecnologia às vezes de difícil implementação (pois inicialmente exige maior acompanhamento técnico e mais mão-de-obra) e por falta de informação nessa área. O nível cultural dos agricultores, muitos já acostumados aos plantios convencionais pela rapidez da produção e pela aparente segurança em relação a solução de problemas a curto prazo, também dificulta o emprego de técnicas voltadas à produção orgânica. Estratégias que visem aliar conhecimentos tecnológicos ao conhecimento popular e à educação ambiental são fundamentais para que, através do diálogo, da conscientização e do treinamento, o interesse sobre esse tipo de produção seja crescente.

OS DESAFIOS DA PESQUISA

Os insetos formam o grupo animal mais representativo em termos de diversidade e abundância, ocorrendo em todo tipo de ambiente. Possuem grande importância dentro de qualquer ecossistema por serem responsáveis por uma grande variedade de funções ecológicas (fitófagos, predadores, parasitóides, mutualistas, polinizadores, detritívoros, entre outras). Inventários da diversidade de insetos são importantes para que, a partir do conhecimento das espécies e de suas associações, possa se estabelecer um manejo de hábitat propício a manutenção de populações equilibradas e favorável à conservação dos polinizadores e inimigos naturais no campo.

Pouco se sabe sobre a biologia e comportamento de insetos que ocorrem em áreas de agricultura orgânica, principalmente em termos de insetos polífagos (que atacam grande variedade de plantas, o que seria negativo em uma situação de consórcio de espécies vegetais ou uso de adubação verde). Outra possibilidade de estudo seria relacionar a nutrição de plantas proporcionada pelo uso de adubos orgânicos, plantio de leguminosas e uso de biofertilizantes (típicos do sistema orgânico de produção) à sua resistência ao ataque de pragas, como proposto pela Teoria da Trofobiose. Além disso, os insetos têm grande potencial para serem utilizados como bioindicadores por responderem rapidamente às mudanças no ambiente.

Estas são algumas das muitas possibilidades do estudo entomológico em agroecossistemas. O Brasil tem grande potencial para se tornar o maior produtor de frutas do mundo, mas deve investir mais nesse setor, principalmente em termos tecnológicos. A soma de conhecimentos em áreas estratégicas, como é o caso da entomologia, conduzem à resultados com grande potencial de aplicabilidade. A pesquisa científica e a educação ambiental, realizadas de forma integrada e participativa, têm papel importante na resolução de problemas fitossanitários com mínimo desgaste ambiental e na conscientização da população que lida diretamente com a agricultura.

AUTORIA

Carolina Rodrigues de Araújo
Pesquisadora da Embrapa Meio-Norte
E-mail: carolina.araujo@cpamn.embrapa.br

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