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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cultivo de planta nativa é opção para oferta de forragem no período de seca


noticias :: Por Editor em 21/02/2011 :: imprimir   pdf   enviar   celular

Quando a seca no semiárido nordestino atinge o período mais crítico, entre os meses de agosto a dezembro, o mamãozinho-de-veado flora e frutifica com abundância. O "segredo" da planta é o mesmo que possui os pés de umbuzeiro: a raiz em forma de batata, tecnicamente chamada de xilopódio ou túbera, que armazena água e substâncias nutritivas numa quantidade que permite a planta atravessar vários meses de estiagem.



Em alguns pés de "mamãozinho" já foram colhidas batatas com 546 kg. Na época de escassez de vegetação para os rebanhos, os agricultores de poucos recursos técnicos e financeiros costumam retirar os xilopódios dessas plantas como uma das poucas alternativas de alimento para fornecer aos animais.

DOMESTICAÇÃO

O nome científico da espécie é Jacaratia corumbensis O. kuntze, um arbusto com altura que varia de 2,5 m a 6 m. Mamãozinho-de-veado é a denominação popular porque seus frutos são muito consumidos por animais silvestres como os tatus, cutias, siriemas, caititus e, em especial, os veados. Suas flores alimentam diversas espécies de borboletas e abelhas.

Há cerca de 14 anos, Nilton de Brito Cavalcante, mestre em Extensão Rural, da Embrapa Semiárido, estuda o comportamento da planta no ambiente natural e realiza testes com o objetivo de fazer uma espécie de domesticação para uso pelos agricultores nos seus sistemas de cultivo. Desde 1997, Nilton pesquisa o mamãozinho e, em 1998, publicou o primeiro trabalho intitulado Produtividade de xilopódios do mamãozinho-de-veado, no XLIX Congresso Nacional de Botânica.

Para ele, o extrativismo do "mamãozinho" nos períodos críticos de seca é um indicador da importância que tem a planta para os pequenos criadores. O corte indiscriminado nessas épocas diminui a população desse vegetal e, ao longo do tempo, pode se tornar uma ameaça concreta de extinção da espécie.

ÁGUA

Na pesquisa, Nilton entrevistou agricultores, fez testes em campo experimental e realizou análises em laboratório da Embrapa Semiárido. Junto ao de Nutrição Animal, fez comprovações da qualidade forrageira dessa planta nativa: na matéria seca, registrou 30% de proteína nas folhas e ramos novos, e 12% no tubérculo. Compõe ainda esta espécie de batata cerca de 78% de água que pode suprir parte das necessidades dos animais no período de seca.

A espécie é uma boa fonte de nutriente e de água para os animais, revela o mestre em Extensão Rural.

Parte da pesquisa foi dedicada à entrevista com agricultores e à medição da população das plantas de "mamãozinho" em comunidades dos municípios de Juazeiro, Curaçá, Uauá e Jaguarari, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Aí ele encontrou densidades que variaram de 7 a 16 pés/ha.

Segundo Nilton, com mão-de-obra da família, muito pouco recurso financeiro e conhecimento, o pequeno criador do semiárido pode fazer essa quantidade crescer para até 7500 plantas/ha, com espaçamento de 1,5 x 1,5 m, em área de caatinga degradada, ou então repovoar a vegetação nativa com 1200 pés/ha.

Como o peso médio da raiz no primeiro ano de cultivo alcança 3,46 kg, nas duas situações, o agricultor vai dispor de um bom volume de reserva forrageira para o seu rebanho, garante.

PLANTIO

Mais do que constatar o potencial forrageiro da espécie, Nilton definiu práticas de manejo que os agricultores podem adotar para cultivar na sua propriedade, do modo que faz com o capim, ou a palma, ou o feijão. Uma delas é que o plantio pode ser feito em qualquer tipo de solo da caatinga desde que não esteja em área sujeita a alagamento.

Para o cultivo, ele orienta a colheita dos frutos do mamãozinho no período da safra (dezembro/março). Após retirar as sementes, põe para secar e depois armazena por 30-60 dias até o momento do plantio.

O agricultor pode fazer o cultivo direto, depositando de 3 a 5 sementes em covas com 3 a 4 cm de profundidade. O ideal, porém, é que o plantio seja feito em canteiros. Posteriormente, são repicadas para sacos com substrato de solo, areia e esterco que, passados 60 dias da germinação, devem ser levadas para o campo. O transplantio deve ocorrer entre os meses de janeiro a abril para um melhor desenvolvimento das mudas.

A melhor data para o plantio das mudas no campo é logo após as primeiras chuvas. Uma planta adulta de "mamãozinho" chega a produzir 680 frutos por safra e cada um deles chega a conter até 14 sementes.

ADAPTAÇÃO

Nilton explica que o plantio do mamãozinho-de-veado pode ser feito também na forma de consórcio com outras culturas, a exemplo do milho, feijão, palma forrageira, áreas de pastagens, ou na própria caatinga. O agricultor só precisa distribuir as covas de forma que a distância entre as plantas seja de 1,50 m. O espaçamento nas entrelinhas, por sua vez, passa a depender da espécie consorciada. O percentual de germinação das sementes chega a até 80%.

O pesquisador recomenda ainda uma capina no final do período das chuvas. Após um ano do plantio, os agricultores já podem fazer a colheita. No entanto, "quanto mais tempo as plantas permanecerem no campo, maior será o desenvolvimento da batata".

Como não é possível barrar de imediato o corte indiscriminado do "mamãozinho", uma providência que os produtores podem adotar para reduzir o impacto do extrativismo na época de seca é a retirada apenas das plantas masculinas. Além de não produzirem frutos apresentam os maiores xilopódios.

Segundo Nilton de Brito, a grande vantagem para os agricultores é que após o plantio não é preciso mais se preocupar com o mamãozinho: a condição de nativa da caatinga garante sua adaptação às adversidades climáticas da região.

PARA SABER MAIS

Nos links abaixo, é possível acessar para leitura ou para cópia digital, de forma gratuita, alguns dos trabalhos publicados sobre o assunto (clique nos títulos para baixar os documentos).

Utilização do Mãozinho-de-veado na alimentação dos animais na seca

Mamãozinho-de-veado (jacaratia corumbensis o. kuntze): Cultivo alternativo para alimentação animal na região semiárida do nordeste

MAIS INFORMAÇÕES

Pesquisador Nilton de Brito Cavalcanti
M.Sc. em Extensão Rural
Embrapa Semiárido
E-mail: nbrito@cpatsa.embrapa.br

FONTE

Embrapa Semiárido
Marcelino Ribeiro - Jornalista
Telefone: (87) 3862-1711

Links referenciados

Mamãozinho-de-veado (jacaratia corumbensis o. kuntze): Cultivo alternativo para alimentação animal na região semiárida do nordeste
www.cpatsa.embrapa.br/public_eletronica/
downloads/OPB626.pdf

Utilização do Mãozinho-de-veado na alimentação dos animais na seca
www.cpatsa.embrapa.br:8080/public_eletro
nica/downloads/INT60.pdf

nbrito@cpatsa.embrapa.br
nbrito@cpatsa.embrapa.br

Embrapa Semiárido
www.cpatsa.embrapa.br

Marcelino Ribeiro
marcelrn@cpatsa.embrapa.br
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